segunda-feira, 20 de maio de 2013

a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mae

"mas não posso voltar para casa sem ela. não a posso deixar aqui sozinha. não estaria sozinha. estaria sozinha de mim, que é a solidão que me interessa e a de que tenho medo." (14)

"o silêncio foi profundo de seguida, como casmurramente recusando-se a permitir um diálogo satisfatório. o silêncio tombou sobre nós como pedra sepultando para sempre a oportunidade de nos entendermos." (40)

"o tempo guarda cápsulas indestrutíveis porque, por mais dias que se sucedam, sempre chegamos a um ponto onde voltamos atrás, a um início qualquer, para fazer pela primeira vez alguma coisa que nos vai dilacerar impiedosamente porque nessa cápsula se injeta também a nitidez do quanto amávamos quem perdemos, a nitidez do seu rosto, que por vezes se perde mas ressurge sempre nessas alturas, até o timbre da sua voz, chamando o o nosso nome ou, mais cruel ainda, dizendo que nos ama com um riso incrível pelo qual nos havíamos justificado em mil ocasiões no mundo." (106)


Mae, Valter Hugo. a máquina de fazer espanhois. São Paulo: Cosac Naify, 2011.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores