segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Suicídio e alma, James Hillmann

"Quer seja 'um leão, um precipício ou uma febre', cada morte é nossa própria criação." (73)

"A alma já deixou o mundo no qual o corpo se move como um boneco pintado." (85)

"Assim como é a hora da verdade, é também o momento do desespero, porque não há esperança." (101)

HILLMAN, J. Suicídio e alma. Petrópolis: Vozes, 2011.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Diário do hospício, Lima Barreto

"Não quero morrer, não; quero outra vida." (58)

"Todos eles estão na mão de um poder que é mais forte do que a Morte. A esta, dizem, vence o amor; a Loucura, porém, nem ele." (91)

"O Torres, o tal que matou o rival em amor, diz que viveu doze anos num ovo." (131)

BARRETO, Lima. Diário do hospício; O cemitério dos vivos. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O vermelho e o negro, Stendhal

"Os romances teriam indicado a ambos o papel a desempenhar, teriam mostrado o modelo a ser imitado, e a vaidade, cedo ou tarde, teria forçado Julien a seguir esse modelo, ainda que sem nenhum prazer e talvez de má vontade." (57)




"A mão se retirou rápido, mas Julien julgou que era seu dever conseguir que a mão não se retirasse quando ele a tocasse. A ideia de um dever a cumprir e de incorrer em ridículo, ou melhor, num sentimento de inferioridade, caso o objetivo não fosse alcançado, afastou no ato todo prazer do seu coração." (70)

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector

"..., faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, (...) faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que se descontraía o peito e uma luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranquilas mortalidades, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro" (14)


"queria poder continuar a vê-lo, mas sem precisar tão violentamente dele." (19)


"Mas seu descompasso com o mundo chegava a ser cômico de tão grande: não conseguira acertar o passo com as coisas ao seu redor."


"(Lóri se cansava muito porque ela não parava de ser)." (20)

Murphy - Samuel Beckett

"Murphy continuou por um tempo a emitir ruídos como os de uma descarga disparada com exagero, depois disse, com uma voz de ovo e escorpião:
- Pedi chá da China e você me traz indiano." (67)

"Nada que jamais tivesse existido, ainda existisse ou viesse a existir no universo exterior deixava de já estar presente em seu universo interior, seja em forma potencial, seja em ato, seja em forma potencial se desenvolvendo em ato, seja em ato declinando em potência." (85)

"Um "anotado" era um paciente "sob pergaminho" (ou "sob caução"). O paciente era posto sob pergaminho (ou sob caução) sempre que desse margem a sérias suspeitas tendências suicidas." (143)

Beckett, Samuel. Murphy. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O livro vermelho, C. G. Jung

"Ele me mantém aqui numa prisão insuportável, não por ciúme ou ódio, mas por amor"

"Coloca diante de ti o ovo, o Deus em seu princípio.

E contempla-o.
E com teu olhar de calor mágico choca-o." (265)

"O natal chegou. O Deus está no ovo." (266)


"Eu gostaria de poder blasfemar contra o Deus: teria ao menos um deus ao qual pudesse ofender, mas não vale a pena ofender um ovo que a gente carrega no bolso." (271)


"Tu desagradas o Deus e ele se esconde, assustado , num ovo." (271)


"Nada restou dos deuses a não ser um ovo. E este ovo, eu o possuo." (271)


"Aconteceu que eu abri o ovo e que o Deus saiu do ovo." (274)


"Mas enquanto o Deus descansava no ovo e esperava seu começo, minha força passou pra ele." (274)


"Ele apareceu, o monte de esterco em que os deuses esconderam seu ovo." (374)


"Quais são as novas artes que trazei à luz vindas da câmara escura e inacessível, da gema solar do ovo dos deuses?" (375)


"eu gostaria até mesmo de ser teu cachorro . Tu és de valor indizível para mim, toda minha esperança que ainda se prende à terra." (429)


"O leão como animal régio significa poder" (505)


JUNG, C. G. O livro vermelho. Petrópolis: Vozes, 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Cartas de viagem e outras crônicas, Campos de Carvallho

"Fui dado a sonambulismo, que é uma forma de levitação embora os pés continuem plantados no chão e as asas sejam as de Ícaro." (94)

"Calado havia mais de dez anos, desiludido das coisas e sobretudo de mim, refugiara-me no ovo da solidão e ali ficara à espera de que o mundo afinal se acabasse e eu fosse pelos ares com ele, num ribombo de mil trovões" (98)


CARVALHO, Campos de. Cartas de viagem e outras crônicas. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

o apocalipse dos trabalhadores, Valter Hugo Mãe

"quando morreu, bach deve ter explicado a deus o que é a música, que terá aprendido com ele como um miúdo, tenho a certeza." (25)

"o frio a passar-lhe a pele por agulhas e ela caminhando como uma máquina ainda só remotamente entristecendo." (60)

"as mãos a limparem as lágrimas do rosto. muito mais triste. sempre muito mais triste." (102)

MÃE, Valter Hugo. O apocalipse dos trabalhadores. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O ovo cósmico, François Ribadeau Dumas

"A esse respeito, na sua Arqueologia espacial, escreve Peter Kolosimo:
'De que modo chegou a impor-se a ideia de um humano nascido de um Ovo? (...) Mas, então, por que sugerir que esses ovos provêm do Cosmos? Uma lenda sul-americana dizia que eles desciam do céu, levados nas mandíbulas de um leão.'" (39)

"O Ovo Primordial pode ser considerado por alguns como um arquétipo. Que é um arquétipo? "Uma espécie de propensão a repetir sempre as mesmas imagens míticas, ou imagens análogas", declara Carl Gustav Jung, acrescentando: "Ele é tanto sentimento quanto pensamento." (80)

Dumas, François Ribadeau. O ovo cósmico. São Paulo: Editora Pensamento, 1979.

Vaca de nariz sutil, Campos de Carvalho

"vivo criando verdades a torto e a direito, cada dia é uma verdade diferente, sem querer até que disse uma coisa que preste: cada dia é uma verdade diferente" (64)

"cansado a mais não poder, não bêbado mas simplesmente cansado, como nunca estive até aqui, como nunca estarei em nenhum outro momento de minha vida, terrivelmente cansado: TERRIVELMENTE, eis exatamente o que eu queria dizer a todos e a mim, apenas isto: terrivelmente." (68)

"de súbito fui virado pelo avesso, quem me virou não sei, o médico disse que fui eu mesmo, e as coisas mais simples se tornaram terrivelmente complexas, como viver por exemplo, ou dormir sobre o lado esquerdo, como havia feito desde sempre." (79)

"Qualquer voz romperia este mistério, qualquer gesto, já não ouso mais sequer respirar, fecho os olhos e somos uma só presença, uma só ausência - se me tocassem no ombro eu me desfaria em pó, toda uma ruína de milênios: e este vento!" (86)

Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, Goethe

"Em tais horas Wilhelm ainda não havia completamente perdido sua amada; suas dores eram tentativas infatigavelmente renovadas de reter ainda aquela felicidade que se lhe evadia da alma, de retomar em pensamento a possibilidade, de procurar uma curta sobrevida às suas alegrias para sempre desfeitas." (88)

"Consta que os feiticeiros, com o auxílio de suas fórmulas mágicas, atraem para seus aposentos um número colossal de espíritos de toda sorte. Tão poderosas são suas evocações, que em pouco tempo preenche-se todo o espaço do cômodo, e os espíritos, confinados no pequeno círculo traçado, continuam a se multiplicar, movendo-se em metamorfoses e rodopios eternos ao redor de si mesmos e sobre a cabeça do mestre. Todos os recantos ficam apinhados e todas as cimalhas ocupadas. Dilatam-se os ovos e figuras gigantescas se estreitam em forma de cogumelos." (188)

Goethe, J. W. Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister. São Paulo: Editora 34, 2006.

a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mae

"mas não posso voltar para casa sem ela. não a posso deixar aqui sozinha. não estaria sozinha. estaria sozinha de mim, que é a solidão que me interessa e a de que tenho medo." (14)

"o silêncio foi profundo de seguida, como casmurramente recusando-se a permitir um diálogo satisfatório. o silêncio tombou sobre nós como pedra sepultando para sempre a oportunidade de nos entendermos." (40)

"o tempo guarda cápsulas indestrutíveis porque, por mais dias que se sucedam, sempre chegamos a um ponto onde voltamos atrás, a um início qualquer, para fazer pela primeira vez alguma coisa que nos vai dilacerar impiedosamente porque nessa cápsula se injeta também a nitidez do quanto amávamos quem perdemos, a nitidez do seu rosto, que por vezes se perde mas ressurge sempre nessas alturas, até o timbre da sua voz, chamando o o nosso nome ou, mais cruel ainda, dizendo que nos ama com um riso incrível pelo qual nos havíamos justificado em mil ocasiões no mundo." (106)


Mae, Valter Hugo. a máquina de fazer espanhois. São Paulo: Cosac Naify, 2011.

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