"Assim que a viu desaparecer no vestíbulo da mansão de estilo ocidental, Gimpei tratou de fugir correndo. Sentiu que seus pés disformes corriam atrás dele, perseguindo-o." (27)
"Devido à nuca carnuda, Tatsu tinha dificuldade de envergar o pescoço para trás, e para olhar Miyako tinha de levantar a vista. Com isso, Miyako sentiu que a outra adivinhava seu coração." (49)
"Miyako não pretendia ter nenhum ciúme do velho Arita, parte por autoestima, parte por desesperança, mas, como era mulher, deixava escapar sem querer algumas palavras ciumentas, e o velho ficava com uma expressão de profundo desagrado, a ponto de deixar congelado o ciúme de Miyako." (75)
"As flores refletidas na água me dão medo." (98)
"- Entendi muito bem. É melhor não afundar no meu mundo. Tudo que foi trazido à tona por mim, procure confinar no fundo de algum local bem escondido. Se não fizer isso, vai acontecer alguma desgraça. Eu vou viver num mundo diferente do seu, e estarei a vida toda agradecido e sonhando com recordações suas." (132)
KAWABATA, Yasunari. O lago. São Paulo: Estação Liberdade, 2010.
segunda-feira, 12 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
Luto e melancolia, Sigmund Freud
"O objeto [na melancolia] não é algo que realmente morreu, mas que se perdeu como objeto de amor" (51)
"sabe quem ele perdeu, mas não o que perdeu nele [no objeto]". (51)
"No luto é o mundo que se tornou pobre e vazio; na melancolia é o próprio ego." (53)
"Desse modo, tem-se à mão a chave do quadro clínico, na medida em que se reconhecem as autorrecriminações como recriminações contra um objeto de amor, a partir do qual se voltaram sobre o próprio ego."(59)
"Para eles, queixar-se é dar queixa no velho sentido do termo; eles não se envergonham nem se escondem, porque tudo de depreciativo que dizem de si mesmos no fundo dizem de outrem." (59)
"Houve uma escolha de objeto, uma ligação da libido a uma pessoa determinada; graças à influência de uma ofensa real ou decepção por parte da pessoa amada, essa relação de objeto ficou abalada. O resultado não foi o normal, uma retirada da libido desse objeto e seu deslocamento para um novo, mas foi outro, que parece requerer várias condições para sua consecução." (61)
"Por um lado, deve ter havido uma forte fixação no objeto de amor e, por outro, e em contradição com isso, uma pequena resistência do investimento objetal." (63)
"A perda do objeto de amor é uma oportunidade extraordinária para que entre em vigor e venha à luz a ambivalência das relações amorosas. (...)
Se o amor pelo objeto - um amor que não pode ser abandonado, ao mesmo tempo que o objeto o é - se refugiou na identificação narcísica, o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, insultando-o, humilhando-o, fazendo-o sofrer e ganhando nesse sofrimento uma satisfação sádica." (63-67)
"Nas duas situações opostas, o mais extremado enamoramento e o suicídio, embora por caminhos inteiramente diferentes, o ego é subjugado pelo objeto." (69)
"Nela [na melancolia] a reação com o objeto não é nada simples e se complica pelo conflito de ambivalência, (...) ou surge justamente das experiências acarretadas pela ameaça de perda do objeto." (81)
"Na melancolia se tramam portanto em torno do objeto inúmeras batalhas isoladas, nas quais o ódio e o amor combatem entre si: um para desligar a libido do objeto, outro para defender contra o ataque essa posição da libido." (81)
FREUD, Sigmund. Luto e melancolia. Trad. Introd. e notas por Marilene Carone. Cosac Naify: São Paulo, 2012
"sabe quem ele perdeu, mas não o que perdeu nele [no objeto]". (51)
"No luto é o mundo que se tornou pobre e vazio; na melancolia é o próprio ego." (53)
"Desse modo, tem-se à mão a chave do quadro clínico, na medida em que se reconhecem as autorrecriminações como recriminações contra um objeto de amor, a partir do qual se voltaram sobre o próprio ego."(59)
"Para eles, queixar-se é dar queixa no velho sentido do termo; eles não se envergonham nem se escondem, porque tudo de depreciativo que dizem de si mesmos no fundo dizem de outrem." (59)
"Houve uma escolha de objeto, uma ligação da libido a uma pessoa determinada; graças à influência de uma ofensa real ou decepção por parte da pessoa amada, essa relação de objeto ficou abalada. O resultado não foi o normal, uma retirada da libido desse objeto e seu deslocamento para um novo, mas foi outro, que parece requerer várias condições para sua consecução." (61)
"Por um lado, deve ter havido uma forte fixação no objeto de amor e, por outro, e em contradição com isso, uma pequena resistência do investimento objetal." (63)
"A perda do objeto de amor é uma oportunidade extraordinária para que entre em vigor e venha à luz a ambivalência das relações amorosas. (...)
Se o amor pelo objeto - um amor que não pode ser abandonado, ao mesmo tempo que o objeto o é - se refugiou na identificação narcísica, o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, insultando-o, humilhando-o, fazendo-o sofrer e ganhando nesse sofrimento uma satisfação sádica." (63-67)
"Nas duas situações opostas, o mais extremado enamoramento e o suicídio, embora por caminhos inteiramente diferentes, o ego é subjugado pelo objeto." (69)
"Nela [na melancolia] a reação com o objeto não é nada simples e se complica pelo conflito de ambivalência, (...) ou surge justamente das experiências acarretadas pela ameaça de perda do objeto." (81)
"Na melancolia se tramam portanto em torno do objeto inúmeras batalhas isoladas, nas quais o ódio e o amor combatem entre si: um para desligar a libido do objeto, outro para defender contra o ataque essa posição da libido." (81)
FREUD, Sigmund. Luto e melancolia. Trad. Introd. e notas por Marilene Carone. Cosac Naify: São Paulo, 2012
Assinar:
Postagens (Atom)