segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Mito de Sísifo, Albert Camus - Parte I b

O Mito de Sísifo parte I: Um Raciocínio Aburdo (continuação)

Os Muros Absurdos

"as últimas páginas de um livro já estão nas primeiras." (26)

"Um belo dia, surge o "por quê" e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. 'Começa', isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência. Ela o desperta e provoca sua continuação. A continuação é um retorno inconsciente aos grilhões, ou é o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a conseqüência: suicídio ou restabelecimento." (27)

"Esse mal-estar diante da desumanidade do próprio homem, essa incalculável queda diante da imagem daquilo que somos, essa 'náusea', como diz um autor dos nossos dias, é também o absurdo". (29)

O Suicídio Filosófico

"O único dado, para mim, é o absurdo. A questão é saber como livrar-se dele e se o suicídio deve ser deduzido desse absurdo." (45)

"Tomo aqui a liberdade de chamar de suicídio filosófico a atitude existencial.' (54)

A Liberdade Absurda

"Agora posso abordar a noção de suicídio. Já vimos que solução é possível dar-lhe. Neste ponto, o problema se inverte. Anteriormente tratava-se de saber se a vida devia ter um sentido para ser vivida. Agora parece, pelo contrário, que será tanto melhor vivida quanto menos sentido tiver". (65)

"Viver é fazer que o absurdo viva." (66)

"Aqui se vê como a experiência absurda se afasta do suicídio. (...) à sua maneira, o suicídio resolve o absurdo. Ele o arrasta para a própria morte." (66)

"Que liberdade pode existir sem segurança de eternidade?" (69)

"O absurdo me esclarece o seguinte ponto: não há amanhã. Esta é, a partir de então, a razão da minha liberdade profunda." (70)

"o homem absurdo, totalmente voltado para a morte (tomada aqui como a absurdidade mais evidente), sente-se desligado de tudo o que não é a atenção apaixonada que se cristaliza nele. Saboreia uma liberdade em relação às regras comuns." (70)

"Sentir o máximo possível sua vida, sua revolta, sua liberdade é viver o máximo possível." (74)

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